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Enfim, incentivo fiscal para o ECF


O governo do Estado de São Paulo decidiu, finalmente, conceder incentivos fiscais aos contribuintes obrigados a ter o Emissor de Cupom Fiscal (ECF) – que faturam acima de R$ 120 mil por ano. Aqueles que ainda não possuem o equipamento terão um crédito de R$ 2 mil, que será amortizado em 12 vezes. A idéia é também conceder um crédito de mesmo valor para quem promover a integração do ECF ao sistema de pagamento por cartão de débito ou crédito. Nesse caso, o crédito será retroativo a outubro de 2002. Somente os contribuintes que faturarem até R$ 1,2 milhão por ano terão direito aos dois incentivos. As duas propostas serão levadas pelo secretário da Fazenda do Estado de São Paulo, Eduardo Guardia, para a reunião do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), marcada para quinta-feira, em Aracaju.

De acordo com o diretor-adjunto da Diretoria da Administração Tributária da Secretária da Fazenda, Antonio Carlos de Moura Campos, depois de passar pelo crivo do órgão, os convênios prevendo os dois incentivos serão sacramentados por meio de um decreto estadual. As regras terão validade a partir de 2005.

A Sefaz não tem dados sobre a quantidade de contribuintes que ainda não se adequaram à legislação que estabelece a obrigatoriedade do equipamento. "Sabemos somente que cerca de cinco mil contribuintes no estado de São Paulo fizeram a integração, o que vai demandar um total de créditos de R$ 10 milhões", calculou.

As medidas não alcançam as microempresas optantes pelo Simples, que não geram créditos do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). A partir do ano que vem, se passarem à condição de Empresa de Pequeno Porte (EPP) ou migrarem para o regime RPA (regime periódico de apuração), passarão a ter direito ao crédito nas duas situações. "Além de aquecer o mercado para os fabricantes do equipamento, a medida vai estimular muitas microempresas a pularem para a faixa de Empresa de Pequeno Porte, já que muitas o são de fato", informou.

O presidente da Associação dos Fabricantes e Revendedores de Equipamentos para Automação Comercial (Afrac), Wolney Betiol, diz que embora as medidas venham com atraso, vão aliviar a situação dos pequenos empresários, cujos estabelecimentos contam apenas com um ponto de venda. O preço do equipamento no mercado gira em torno de R$ 2 mil.

Para Betiol, a ação judicial proposta em abril deste ano pela Associação Comercial de São Paulo (ACSP) questionando a obrigatoriedade do ECF contribuiu para a decisão do estado em conceder o benefício. "São Paulo é um dos poucos que faltavam para criar um estímulo ao usuário do equipamento", disse. A própria Afrac chegou a sugerir a concessão de um crédito no valor de R$ 3,7 mil – pensando em quem precisasse adquirir mais de um equipamento. "Sem incentivo, quem acaba arcando com ônus são os fabricantes, obrigados a alongar o prazo de pagamento para tornar o equipamento viável ao contribuinte", reclama.

Além da inexistência de incentivos fiscais voltados à aquisição do equipamento, a burocracia é outro entrave para o desenvolvimento do setor. Os fabricantes nacionais de equipamentos para automação comercial calculam amargar prejuízos de cerca de R$ 30 milhões por ano, por conta da burocracia do Fisco, processos ineficientes para homologação, legislações estaduais divergentes e o não cumprimento da lei. "Esse valor refere-se apenas ao investimento que é feito anualmente no desenvolvimento de novas tecnologias. Com todas as barreiras que enfrentamos para homologar e certificar um equipamento, esse valor praticamente se perde", observa Betiol.

A entidade reclama por maior agilidade e eficiência dos órgãos reguladores no exame, fiscalização e homologação dos equipamentos emissores de cupom fiscal. "Já houve o caso de um ECF com impressora térmica que levou quatro anos para ser homologado. É preciso que haja prazos definidos para conclusão do processo de certificação", comenta Betiol. A entidade defende o credenciamento de novos órgãos, a simplificação das exigências de credenciamento, principalmente no que tange à análise estrutural do software básico, e a garantia de que esse certificado tenha validade nacional.

Segundo Betiol, após o envio da Carta da AutoCom 2004 às autoridades competentes, houve uma sinalização positiva dos órgãos reguladores e o fisco, que querem ampliar o debate. "Eles solicitaram propostas mais concretas para superar as barreiras hoje existentes. Estamos mobilizando nossos associados e aprofundando a discussão", concluiu.

Sílvia Pimentel e Carlos Ossamu
Site Diário do Comércio